quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A luz dos olhos meus e a luz dos olhos teus


Lá fora a chuva cai…o vento sussurra pela janela…as nuvens esbatem-se como há muito não sentia…e eu aqui!
Nas minhas mãos vazias formam-se contornos, surge o nome que te dei, espreita o sorriso que me devolveste, regressam as palavras e emanam sonhos… Inventei tudo o que havia para inventar…e delas, das invenções, fiz laços que só tu podes desatar!
Amanhã eu não sei, não sei se as minhas mãos podem tocar nas tuas, se nas minhas mãos cabes tu, o teu coração, a tua alma e a tua razão! Se tiveres de dizer não, responde já!
Cada dia sinto que vai ser último…que uma última vez cantarei para ti! De novo sinto que poucas vezes irei sentir o perfume da tua pele, cada vez que o faço para mim é única! E se o dia em que deixo de ouvir a tua voz for hoje? E se de repente o anoitecer entra em dia com uma intensidade nunca antes sentida?? Virá calmo, negro, triste…ou simplesmente aterrador, barulhento, fulminante?? Se tiver de acontecer, que aconteça já!

Fecho os olhos e vejo a paisagem, numa imagem clara do mundo cumprindo-se! O corpo levanta-se e abre a janela…a mente espalha-se entre os pingos…e a alma percorre o infinito…talvez perdido no coração de alguém pequeno que de repente se tornou omnipresente! Se quiser fugir já não consigo de tão perto que estás! Antes umas horas o barco rompeu o cais descontrolado. Quando vieste tão pesado…pediste-me que te levasse a dor! E eu em segredo disse a mim mesmo…não partas nunca mais! Abraçaste-me como se o tempo parasse … talvez o beijo roubado tenha-me levado o sossego e a calma…talvez me tenha trazido a alma!
De regresso, pouso na minha janela…lá longe fica o horizonte…à minha frente está o meu leito, quente, aconchegante, sempre esperando quem nem sempre o merece! Talvez a noite passe a ter outra cor, a lua se proteja e o céu acalme!
Fecho os olhos, penso em ti!

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